Biotério Pantanal publica estudo inédito sobre boas práticas de manejo e abate

O Portal Meu Exótico inicia uma série especial dedicada à divulgação científica dos trabalhos publicados pelo Biotério Pantanal, empresa parceira reconhecida pela produção de presas destinadas à alimentação de animais carnívoros sob cuidados humanos.
Nesta primeira matéria, vamos apresentar os principais resultados do artigo científico “Slaughter and Pre-Slaughter Protocols for Rodents and Birds Used for Animal Feed” (“Protocolos de Abate e Pré-Abate para Roedores e Aves Utilizados na Alimentação Animal”), publicado em 2025 por Rodney Murillo Peixoto Couto, Maiara Cabrera Miguel, Priscilla Soares dos Santos, Daniel Montanher Polizel, Rosemeire da Silva Filardi e Antonio Carlos de Laurentiz.
Embora o tema possa parecer distante da rotina dos responsáveis por serpentes, lagartos, aves de rapina e outros animais carnívoros, os resultados do estudo mostram que a forma como uma presa é criada, manejada e processada influencia diretamente sua qualidade nutricional.
O que o estudo investigou?
Os pesquisadores avaliaram protocolos de manejo pré-abate e abate de camundongos, ratos e codornas produzidos para alimentação animal.
O principal objetivo foi verificar se práticas que reduzem o estresse dos animais antes do abate poderiam resultar em presas de melhor qualidade, além de garantir elevados padrões de bem-estar animal.
Foram analisados 45 animais, submetidos a protocolos específicos desde o período de jejum até o processamento final das carcaças.
Por que o estresse da presa é importante?
Muitos responsáveis sabem que a qualidade da alimentação influencia diretamente a saúde de seus animais. Porém, poucos conhecem a relação entre estresse e qualidade da carne.
Quando um animal passa por situações estressantes antes do abate, seu organismo consome rapidamente as reservas de glicogênio (principal carboidrato de reserva energética nos animais) presentes nos músculos. Isso altera processos bioquímicos importantes após a morte e pode comprometer a qualidade da carne.
Em animais de produção, carnes provenientes de indivíduos submetidos a estresse intenso costumam apresentar características indesejáveis, como alterações de textura, conservação e valor nutricional.
Em outras palavras: uma presa produzida sob condições adequadas tende a oferecer um alimento de melhor qualidade para o predador.
Como os animais foram manejados?
Um dos aspectos mais interessantes da pesquisa foi a preocupação em minimizar qualquer fonte de estresse.
Os animais permaneceram em seus próprios recintos habituais até o momento do procedimento, sem mudanças bruscas de ambiente. O período de jejum foi de seis horas, e o deslocamento até a área de processamento levou cerca de um minuto.
Durante esse período, os pesquisadores observaram indicadores comportamentais de bem-estar. Os roedores continuaram apresentando comportamentos normais, como limpeza corporal (grooming), interação social e atividade exploratória.
Esses comportamentos são considerados sinais importantes de que os animais não estavam submetidos a níveis elevados de estresse.
O método de insensibilização funcionou?
Antes do procedimento final, os animais passaram por um processo de insensibilização chamado eletro-narcose, técnica amplamente utilizada em diversas cadeias produtivas de origem animal.
Após a aplicação do método, foram realizados testes para verificar se os animais permaneciam inconscientes, avaliando reflexos palpebrais e corneanos.
Segundo os resultados do estudo, nenhum dos animais apresentou sinais que indicassem falha na insensibilização, demonstrando a eficiência do protocolo adotado.
O que o pH da carne pode nos ensinar?
Um dos principais indicadores utilizados pelos pesquisadores foi o pH muscular.
Embora pareça um dado técnico, ele é extremamente importante para avaliar a qualidade da carne.
De forma simplificada, carnes provenientes de animais excessivamente estressados tendem a apresentar pH elevado. Já carnes produzidas sob boas condições normalmente apresentam valores dentro de uma faixa considerada ideal.
No estudo, os valores encontrados variaram entre 5,5 e 5,8 para ratos, camundongos e codornas, exatamente dentro da faixa considerada adequada pela literatura científica.
Esses resultados indicam que os animais não sofreram níveis significativos de estresse antes do processamento e que as carcaças apresentaram boa qualidade.

O que isso significa para quem mantém animais carnívoros?
O trabalho reforça um conceito cada vez mais importante na nutrição de animais carnívoros: a qualidade da presa começa muito antes de ela chegar ao congelador.
Assim como ocorre com carnes destinadas ao consumo humano, fatores como genética, manejo, alimentação, bem-estar e processamento influenciam diretamente o produto final.
Para responsáveis por serpentes, varanos, teiús, aves de rapina, pequenos mamíferos carnívoros e diversos outros predadores, isso significa que a escolha de fornecedores comprometidos com protocolos técnicos e científicos pode fazer diferença na qualidade nutricional oferecida aos animais.
Ciência aplicada ao manejo
Além de contribuir para o bem-estar das presas utilizadas na alimentação animal, o estudo também ajuda a preencher uma lacuna existente na literatura científica.
Atualmente, existem diversas normas para animais destinados ao consumo humano e para animais utilizados em pesquisa. No entanto, ainda há poucos trabalhos específicos voltados à produção de presas para alimentação de animais carnívoros.
A pesquisa desenvolvida pelo Biotério Pantanal representa um passo importante para a profissionalização desse segmento, trazendo dados científicos que podem servir de base para futuras regulamentações e melhorias nos processos produtivos.
Leia o artigo completo
Esta é a primeira matéria da série especial do Portal Meu Exótico dedicada à divulgação científica dos trabalhos publicados pelo Biotério Pantanal.
Se você deseja aprofundar seus conhecimentos sobre nutrição, produção de presas e manejo alimentar de animais carnívoros, acesse aqui a pasta de artigos científicos disponibilizada gratuitamente pelo Biotério Pantanal e confira os estudos na íntegra.
Em breve, publicaremos novos conteúdos traduzindo a ciência para a prática do dia a dia dos responsáveis por pets não convencionais.




